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PÉ DIABÉTICO, UMA VISÃO PRÁCTICA- JOSÉ NEVES Ed. 2015

HÁ UM MUNDO ANTES DAS AMPUTAÇÕES

O problema do pé diabético é um tema recorrente. A catástrofe anunciada parece não ter fim.

É sabido que o desenvolvimento do pé diabético ocorre através de duas doenças principais, a neuropatia e a aterosclerose. Estas doenças originam as condições propícias à perda de sensibilidade, à agressão, à perda da mobilidade articular, da elasticidade e da hidratação da pele, e à diminuição de irrigação sanguínea. Estes dois mecanismos são insidiosos e lentos na sua progressão, o que muito dificulta o seu diagnóstico precoce. É óbvio que este diagnóstico tem de ser feito ao nível dos cuidados primários de saúde e, para esse efeito, o PND tem apoiado a formação de dezenas de enfermeiros e médicos. Contudo, estes profissionais precisam de material e de espaço adequado e de uma organização de sistematização da observação dos pés. A criação das consultas autónomas de diabetes nas unidades dos cuidados primários de saúde foi um passo absolutamente fundamental para a sua concretização. Todos os anos as pessoas com diabetes têm que ser obrigatoriamente observadas do ponto de vista do pé e é verdade que neste momento já conseguimos que mais de 60% da população com diabetes, ao nível dos cuidados primários de saúde, tenham os pés observados, chegando mesmo nas USF a 80%.

Só a articulação entre as situações de urgência e as situações crónicas poderá colocar-nos no caminho de uma política que reduza as amputações a menos de metade daquilo que elas são actualmente, tal como prometido, há cerca de 30 anos, na Conferência Internacional de S. Vincent. Há boas experiências que podem e devem ser reproduzidas, este livro do Dr. José Neves é bem um exemplo precioso disso.

Para evitarmos essa catástrofe que continuam a ser as amputações do pé diabético, é importante que os cuidados primários e os cuidados hospitalares reflictam em conjunto, para se encontrarem as respostas que invertam a actual situação.

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